Tomar a decisão

A decisão…

A decisão de ter um filho pode ser individual ou ser tomada a dois, neste caso a duas. Em ambos os casos há numerosos aspetos a considerar antes de avançar.

É importante não ter medo de fazer perguntas, algumas das quais a si própria, e de tentar antever o que significa ter um filho, nos vários quadrantes da sua vida.

Para quem está sozinha as principais preocupações relacionadas com ter um filho costumam incluir, o medo de se lhe acontecer alguma coisa, a criança não ter outro adulto que cuide dela; questões de ordem prática relativas à realização das tarefas diárias, profissionais e domésticas. Como vou ter tempo para tudo? Onde fica a criança quando vou trabalhar ou quando preciso de um bocadinho de tempo para mim? Estas questões não são exclusivas de mulheres lésbicas nem tão pouco de famílias monoparentais. Todas  as mães, todos os pais, num ou noutro momento, vivem estas angustias. Claro que se existirem avós, tios, amigos que possam estar por perto tudo se torna mais simples. Se for possível envolva-os nesta decisão.

Uma questão diferente diz respeito à antecipação do modo como se vai explicar à criança as circunstâncias do seu nascimento e em que consiste uma família lésbica.

Na maioria das situações isto não é um problema. As crianças têm uma enorme facilidade de entender tudo o que lhe é devidamente explicado e, a diferença não constitui para elas o problema que é para a maioria dos adultos.

Vai perder muitas noites de sono, vai ter mais dificuldade de sair para beber um café com amigos, para namorar ou mesmo em ler um livro ou ver um filme. Vai andar física e psicologicamente cansada. O seu orçamento vai ter novas (e caras) rubricas mas, se a decisão está tomada e a sua antecipação a faz sorrir então vai valer a pena cada momento.

Quando a questão se coloca a duas, há outros fatores a considerar.

A sua parceira também quer? Ou quer apenas apoiá-la numa decisão que é sua? Enquanto casal estão preparadas para alguma perda de intimidade? A questão não é só ter menos tempo ou estarem mais cansadas, é ter um novo elemento na família, a partilhar a vossa intimidade, quase em permanência.

Se a decisão de ter um filho está tomada, existem várias opções. Embora existam opções que à primeira vista podem parecer mais simples, até porque dependem quase exclusivamente de si, estas podem não ser as melhores. Muitas mulheres lésbicas que decidem ter um filho equacionam a possibilidade de engravidar tendo relações com um amigo ou com um parceiro eleito exclusivamente para esse fim. Esta estratégia tem grandes riscos. Está a envolver uma outra pessoa numa decisão que é sua e cujas consequências não tenciona partilhar. Se, de fato engravidar, como fará face à outra pessoa? Não conta? Envolve-a no assunto? De repente pode ficar “presa” a uma relação que não quereria. Isto já para não falar de todo o desconforto inerente à situação.

Por isso, se quer ter um filho e ,essa é uma decisão individual, faça-o sem envolver outras pessoas além de si e da sua parceira, se a decisão for a duas. Neste contexto, as suas opções são basicamente duas. Ou opta por uma adoção singular (se estiver sozinha) ou em casal, desde que tenha uma relação conjugal (casamento ou união de facto com a sua parceira há mais de 4 anos) ou opta por recorrer a uma técnica de reprodução medicamente assistida, utilizando um dador (anónimo) de esperma. Neste último cenário, e se for uma decisão em casal, à que decidir qual das duas vai engravidar. Nesta decisão vai pesar, por um lado o desejo individual de cada uma face à gravidez e, por outro lado, as condições físicas (incluindo a idade) de cada uma.