Mãe e Mami

Duas mães … como fazer a distinção entre uma e o outra? Chamamos-lhes usando nomes diferentes? Uma é a mãe e a outra é a mãe? Ou chamamo-las pelos seus nomes?

Esta é uma questão a que a lei por si só não responde e que, além da importância que adquire na vida cotidiana, mostra a dificuldade em modificar paradigmas sociais e culturais enraizados.

Mas vamos ser práticos, o que é que podemos fazer para facilitar esta situação?

Em primeiro lugar, é importante que todos os formulários que temos de preencher em relação aos nossos filhos, como cartões de identidade, passaportes, documentos escolares, documentos de saúde ou desportivos, entre outros, utilizem os campos da filiação (para não mencionar o gênero), em vez de pai e mãe.

Parece banal, mas não é. Cada vez que escrevemos o nome de uma das mães num espaço destinado ao “pai”, somos confrontadas com uma discriminação que, embora leve, provavelmente não intencional e resultante da inércia associada à burocracia, existe.

Outra situação relaciona-se com a identidade familiar, incluindo a identidade dos próprios progenitores, transmitida pelas séries de televisão, pelos filmes, pelos livros e pelas brincadeiras das crianças entre si. “Brincamos às mães e aos pais?” Este também não é um tópico fácil. As cianças, em especial as mais pequenas, adoram animais. Têm livros sobre eles, «sabem como fazer sons para imitá-los. Mas os animais têm um pai e uma mãe. Podemos criar modelos onde a gatinha tem duas mães ou o bebé urso tem dois pais?

A literatura infantil e a presença de progenitores do mesmo sexo em filmes e animação séria são fundamentais para o processo de identificação individual e coletiva de crianças e adultos.

Outra questão diz respeito à forma como as mães vêem seu próprio papel e o papel da outra.

Em situações de adopção conjunta, este tema é, por acaso, facilitado. É uma decisão do casal, tomada ao mesmo tempo e em que ambos têm papéis semelhantes. No futuro, é provável que cada mãe enfrente a outra com igualdade de direitos e deveres para com a criança.

Em situações de co-adoção, o assunto pode ser emocionalmente um pouco mais complexo, apesar de, em termos legais, a situação seja exatamente a mesma. A partir do momento da adoção, a criança é de ambas as mães, da mesma forma. No entanto, nessas situações, não é incomum que a mãe biológica (ou a mãe que tenha avançado com uma adoção singular dessa criança) acredite que tem mais direitos do que a outra mãe.

 

Ainda há uma outra situação sobre a qual devemos refletir, as técnicas de reprodução assistida. Nessa situação, seja inseminação artificial ou FIV, uma das mães passará pelo processo de gravidez e parto. Esta situação pode trazer algum desconforto para o casal. É fundamental que o assunto seja falado e ponderado antes do início do processo, de modo que a maternidade possa ser experimentada por ambas.